domingo, 28 de setembro de 2014

Bordados feministas reproduzem “imperfeições” do corpo feminino

Diga adeus a todas as noções preconcebidas sobre o bordado: se antes a técnica artesanal era considerada conservadora, muitas vezes associada às vovós, hoje ela está sendo usada por jovens feministas, como a artista e costureira Sally Hewett, para quebrar paradigmas, servindo como verdadeiro instrumento de debates pertinentes a atualidade.
Interessada nas histórias sociais e políticas dos meios de comunicação e da arte, ela também sempre se interessou em corpos. Corpos reais. Corpos reais com pelos, estrias, celulite, rugas e todas as "imperfeições" muitas vezes retocadas para atingir o modelo de estética vigente aclamada pela cultura pop mainstream.
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Penelope - veludo, seda bordado, cabelo humano

Combinando esses interesses variados em uma série de bordados que retratam peitos e bundas como realmente são, Hewett prova que brincar com esses indesejados sinais pode produzir arte de uma forma muito mais próxima da perfeição.

"Em um momento durante a minha educação artística, quando eu estava particularmente perdida e querendo saber para onde direcionar a minha arte, encontrei alguns aros de bordado que haviam pertencido a minha avó e comecei a bordar", explicou Hewett ao The Huffington Post.

Apesar de se tratar de objetos costurados, muitas das peças de Hewett são mais realistas do que a maioria das representações de corpos femininos que encontramos no dia-a-dia. De covinhas nas costas para celulites, os bordados da francesa capturam essas particularidades de forma tão precisa que acabam consideradas indesejáveis ​​pelo pensamento dominante.

Por meio de uma costura cuidadosamente elaborada, Hewett revela a glória destes sinais corporais cuja beleza simplesmente não é reconhecida.

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Autoestima, definição

Em psicologiaautoestima inclui uma avaliação subjetiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003).
A autoestima envolve tanto crenças autossignificantes (por exemplo, "Eu sou competente/incompetente", "Eu sou benquisto/malquisto") e emoções autossignificantes associadas (por exemplo, triunfo/desespero, orgulho/vergonha). Também encontra expressão no comportamento (por exemplo, assertividade/temeridade, confiança/cautela). Em acréscimo, a autoestima pode ser construída como uma característica permanente de personalidade (traço de autoestima) ou como uma condição psicológica temporária (estado de autoestima). Finalmente, a autoestima pode ser específica de uma dimensão particular (por exemplo, "Acredito que sou um bom escritor e estou muito orgulhoso disso") ou de extensão global (por exemplo, "Acredito que sou uma boa pessoa, e sinto-me orgulhoso quanto a mim no geral").

Relação entre os termos autoestima, autoconfiança, autoaceitação e autoimagem[editar | editar código-fonte]

Se define como William James (1892) o "si mesmo" como o conhecimento que o indivíduo tem de si próprio, pode-se dividir esse conhecimento em dois componentes distintos: um descritivo, chamado autoimagem, e outro valorativo, que se designa autoestima. Outros dois termos são muitas vezes usados como sinônimos de autoestima: autoconfiança e autoaceitação. Uma análise mais aprofundada desses termos indicam uma sutil diferença de uso: Autoconfiança refere-se quase sempre à competência pessoal e é definida por Potreck-Rose e Jacob (2006) como a convicção que uma pessoa tem, de ser capaz de fazer ou realizar alguma coisa, enquanto autoestima é um termo mais amplo, incluindo por exemplo conceitos sobre as próprias qualidades, etc. Autoaceitação, por outro lado, é um termo ligado ao conceito de "aceitação incondicional" da abordagem centrada na pessoade Carl Rogers e indica uma aceitação profunda de si mesmo, das próprias fraquezas e erros (Potreck-Rose & Jacob, 2006). A autoestima, a autoconfiança e a autoaceitação tendem a estar intimamente ligadas e se influenciam mutuamente. O significado prático dessa inter-relação será tratado mais abaixo (ver abaixo "Psicoterapia para baixa autoestima").

Medição[editar | editar código-fonte]

Para os fins de pesquisa empírica, a autoestima é tipicamente avaliada por um questionário de autoavaliação que produz um resultado quantitativo. A validade e confiabilidade do questionário são estabelecidos antes do uso.

Autoestima, graus e relacionamentos[editar | editar código-fonte]

De fins dos anos 1960 até o início dos anos 1990, foi assumido como questão de fato que a autoestima de um estudante era um fator crítico nas qualificações obtidas na escola, em seus relacionamentos com os colegas e em seus sucessos posteriores na vida. Sendo este o caso, muitos grupos norte-americanos criaram programas para incrementar a autoestima dos estudantes, assumindo que as qualificações melhorariam, os conflitos decresceriam, e que isto levaria a um mundo mais feliz e bem-sucedido. Até os anos 1990, pouca pesquisa revisada e controlada sobre esse tópico foi feita.
O conceito de automelhoria vivenciou mudanças dramáticas desde 1911, quando Ambrose Bierce definiu zombeteiramente a autoestima como "uma avaliação errônea". Bom e mau caráter são conhecidos agora como "diferenças de personalidade". Os direitos têm substituído responsabilidades. A pesquisa sobre egocentrismo e etnocentrismo que municiou a discussão do crescimento e desenvolvimento humano em meados do século XX é ignorada; com efeito, os próprios termos são considerados politicamente incorretos. Uma revolução teve lugar no vocabulário do self. Palavras que implicam confiabilidade ou responsabilidade – autocrítica, abnegação, autodisciplina, autocontrole, modéstia, autodomínio, autocensura e autossacrifício – não estão mais em uso. A linguagem mais favorecida é aquela que exalta o indivíduo: autoexpressão, autoafirmação, autoindulgência, autorrealização, autoaprovação, autoaceitação, egoísmo e a onipresente autoestima (Ruggiero, 2000).
A pesquisa revisada empreendida desde então não tem validado as suposições anteriores. Pesquisas recentes indicam que inflar a autoestima dos estudantes por si mesma não tem efeito positivo sobre a qualificação dos mesmos. Um estudo demonstrou que o efeito pode ser justamente o contrário (Baumeister, 2005). Autoestima elevada se correlaciona com a felicidade autorrelatada. Todavia, não é claro se uma leva necessariamente à outra (Baumeister, 2004). Assim é relacionado os graus e relacionamento e autoestima.

Qualidade e nível da autoestima[editar | editar código-fonte]

O nível e a qualidade da autoestima, embora correlacionados, não são sinônimos. A autoestima pode ser elevada, mas frágil (por exemplo, narcisismo) e baixa, porém segura (por exemplo, humildade). Todavia, a qualidade da autoestima pode ser indiretamente avaliada de várias formas: (I) em termos de sua constância através do tempo (estabilidade), (II) em termos de sua independência ao se apresentarem condições particulares (não-contingência), e (III) em termos de quão entranhada ela esteja num nível psicológico básico (inquestionabilidade ou automaticidade)..

Bullying, violência e assassinato[editar | editar código-fonte]

Alguns resultados em estudos recentes, focam que bullyingviolência e autoestima estão interligados. Costumava-se presumir que os bullies agiam violentamente em relação aos outros porque sofriam de baixa autoestima (embora nenhum estudo controlado fosse oferecido para dar suporte a esta posição).
Estas banannagem sugerem que a teoria da baixa autoestima está errada. Mas nenhuma envolve o que os psicólogos sociais consideram como a forma mais convincente de evidência: experimentos de laboratório controlados. Quando conduzimos nossa revisão inicial da literatura, não descobrimos nenhum estudo de laboratório que provasse o elo entre autoestima e agressão (Baumeister, 2001).
Em contraste com velhas crenças, pesquisas recentes indicam que os bullies agem do jeito que agem porque sofrem de uma injustificada autoestima "elevada".
Criminosos violentos frequentemente se descrevem como superiores aos outros - em especial, como pessoas de elite, que merecem tratamento preferencial. Muitos assassinatos e ataques são cometidos em resposta a golpes contra a autoestima, tais como insultos e humilhação. Para ser mais preciso, muitos perpetradores vivem em ambientes onde insultos são muito mais ameaçadores do que a opinião que tem de si mesmos. Estima e respeito estão ligados ao status na hierarquia social, e desonrar alguém pode ter consequências tangíveis e mesmo acarretar risco de perder a vida.
A mesma conclusão emergiu dos estudos de outra categoria de pessoas violentas. É relatado que membros de gangues de rua possuem opiniões favoráveis sobre si mesmos e recorrem à violência quando estas avaliações são contestadas. Bullies de "playground" consideram-se superiores às outras crianças; baixa autoestima é encontrada entre as vítimas dos bullies, não entre os próprios bullies. Grupos violentos têm um sistema de crenças público, que enfatizam sua superioridade sobre os demais (Baumeister, 2001).

Autoestima e motivação econômica[editar | editar código-fonte]

Adam Smith discute o individualismo como uma motivação econômica; esta ideia também está presente nos trabalhos de Nathaniel Branden.


Referências[editar | editar código-fonte]

  • Baumeister, Roy F. (2001). "Violent Pride", Scientific American284, No. 4, pp. 96–101.
  • Baumeister, Roy F., Campbell, Jennifer D., Krueger, Joachim I. & Vohs, Kathleen D. (2003). "Does High Self-Esteem Cause Better Performance, Interpersonal Success, Happiness, or Healthier Lifestyles?". Psychological Science in the Public Interest4 (1), pp. 1–44.
  • Baumeister, Roy F., Campbell, Jennifer D., Krueger, Joachim I. & Vohs, Kathleen D. (2005). "Exploding the Self-Esteem Myth". Scientific American.
  • Lerner, Barbara (1985) "Self-Esteem and Excellence: The Choice and the Paradox". American Educator.
  • Mecca, Andrew M., Smelser, Neil J. & Vasconcellos, John (Eds.) (1989). The Social Importance of Self-esteem. University of California Press.
  • Peixe, Ricardo (2009) "Confiança GT 2.0: Poder Natural em 15 Dias".
  • Potreck-Rose, Friederike & Jacob, Gitta (2006). Selbstzuwendung, Selbstvertrauen, Selbstakzeptanz - Psychoterapeutische Interventionen zum Aufbau von Selbstwertgefühl. Stuttgart: Clett-Kota. ISBN 3-608-89016-5
  • Ruggiero, Vincent R. (2000). "Bad Attitude: Confronting the Views That Hinder Student's Learning". American Educator.
  • Sedikides, C., & Gregg. A. P. (2003). "Portraits of the self." Em M. A. Hogg & J. Cooper (Eds.), Sage handbook of social psychology (pp. 110-138). Londres: Sage Publications.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O mito da garota feia de Esparta

A primeira vez que ouvi falar sobre o mito da garota feia de Esparta foi quando eu estava lendo sobre Fobia Social e Dismorfofobia. A fábula de Herodotus conta a  história de uma garota muito feia, que era levada todos os dias por sua enfermeira para o Templo de Phoebus Apollo. Lá, a enfermeira rezava para estátua de Helena e pedia que a feiura da menina desaparecesse. Dizem ser a primeira referência sobre não aceitação da aparência.

Com o passar dos tempos e a exacerbação do uso da imagem, sabemos que hoje é praticamente impossível não ser atingindo pela mídia e seus padrões. E mesmo sabendo que são padrões impostos, é muito, mas muito difícil se aceitar e pensar que não tem nada errado. O mundo ta aí, jogando na nossa cara como as pessoas mais bonitas conseguem ter vidas melhores, empregos melhores, amores. Se acontece com as pessoas fora dos padrões? Sim, claro que acontece. Óbvio. Em números menores e com pessoas que enxergaram potencial nelas mesmas.

Você pode ler o texto em inglês aqui: http://bit.ly/1oo55fy (Google Books) ou clique nas imagens para vê-las em tamanho maior.




segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Conhece a ti mesmo


A frase cunhada no oráculo de Delfos apesar de tão desgastada nos livros de autoajuda, não deixa de ser de grande importância. Quanto mais você se conhecer, mais irá se amar. Como se pode gostar daquilo que não se conhece? 

A pergunta que surge nesse ponto é “O que eu faço para me conhecer?”. Será que teste de revistas ou esses testes que existem em blogs são suficientes para se conhecer bem? Eles podem até ser ferramentas para você começar a se observar, mas não irão promover o autoconhecimento. 

Uma análise feita com um psicoterapeuta competente é o que a ciência garante como procedimento eficaz para o autoconhecimento. Mas mesmo de posse de posse desses poderosos artifícios, você não vai escapar da difícil tarefa de olhar para si mesmo e com sinceridade se questionar sobre cada ato faz e cada pensamento que fizer.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Transtorno da Personalidade Esquiva

O Transtorno da Personalidade Esquiva, bem como o nome já diz, trata do esquivo. O fujão que não consegue ser objetivo, nem tomar decisões, nem tentar, nem insistir, nem acreditar em si mesmo. A autoestima é inexistente. Abaixo, as palavras básicas do Wikipedia sobre:

O Transtorno de Personalidade Esquiva é um transtorno de personalidade caracterizado por um padrão predominante de inibição social (timidez), sentimentos de incapacidade, sensitividade extrema a críticas ou repreensões, e uma tendência à solidão ou isolamento. Pessoas que apresentam o transtorno de personalidade esquiva vêem a si mesmas como socialmente ineptas e não atraentes e evitam contato social por medo de serem ridicularizadas, humilhadas ou desprezadas. Os pacientes, tipicamente, mostram-se solitários e relatam o sentimento de distanciamento da sociedade.
Índice
Etiologia e Diagnóstico
O diagnóstico ou mais precisamente, a identificação do sistema sintomático, é baseado nas experiências reportadas pelo sujeito, como também marcadores do transtorno observados por um psicoterapeuta, seja ele um psicólogo clínico, psiquiatra ou outro profissional qualificado. O perfil pode ser apoiado por padrões de comportamento em longo prazo observados pelos membros da família, amigos e colegas de trabalho. No entanto, não podemos cair no erro paradigmático de confundir os sintomas com o sujeito: a pessoa que sofre. A pessoa é um todo e nunca poderá ser reduzida a sintomas.
A lista de critérios, que precisam ser alcançados para o diagnóstico, está descrita em linhas gerais no DSM-IV. Mas a restrição a estes termos não é recomendada. Cada caso é um caso, a maneira específica como a esquiva se manifesta depende de cada pessoa,a assim, uma investigação psicoterapêutica acurada é necessária levando a particularidade, a singularidade do sujeito.
Critérios do DSM-IV
A última versão do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM) - o guia americano amplamente usado por médicos à procura de um diagnóstico de doenças mentais – define o transtorno de personalidade esquiva como: “um padrão invasivo de inibição social, sentimentos de inadequação, e hipersensitividade a críticas, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos”. Um diagnóstico desse transtorno requer quatro dos sete critérios listados no DSM:
Os critérios são:
  1. Evitação de contatos sociais que envolvam um significante contato interpessoal, por medo de críticas, desaprovações ou rejeições.
  2. Só se envolve com pessoas quando tem certeza de que gostarão dele.
  3. Apresenta certo bloqueio nas relações íntimas por medo de ser envergonhado ou humilhado.
  4. É extremamente preocupado com críticas ou em ser rejeitado em situações sociais.
  5. É inibido em novas situações interpessoais por sentimentos de inadequação.
  6. Vê a si mesmo como socialmente inepto, sem características atraentes.
  7. É usualmente relutante em tomar riscos ou em engajar-se em novas atividades porque elas podem se tornar embaraçosas.
Nomenclatura e transtornos semelhantes
No caso de timidez patológica os diagnósticos usados na psiquiatria contemporânea podem ser, entre outros, transtornos de ansiedade social.
O transtorno de personalidade esquiva é comumente confundido com a fobia social, no entanto, as pessoas afetadas por fobia social experimentam uma enorme ansiedade e apreensão ao confrontarem situações socialmente temidas e fazem de tudo para evitá-las. Nesta patologia, o consciente e o bom senso não são suficientes para superar o excesso de timidez, sendo este de caráter orgânico/cognitivo e fora do alcance de uma decisão racional do paciente. O transtorno de personalidade esquiva é comumente confundido também com transtorno de personalidade anti-social, no entanto, clinicamente, o termo anti-social significa atitudes agressivas e contrárias à sociedade (sociopatia), não inibições sociais. Ainda, o transtorno de personalidade esquiva não deve ser confundido com o transtorno de personalidade esquizoide. Enquanto os esquizoides apresentam falta de interesse nas relações sociais, os esquivos têm muito interesse, mas sua falta de confiança age como um bloqueio em tais relações. Outra diferença é que os esquizoides são imunes às críticas e a elogios, e esquivos são muito sensíveis às mesmas.
Referências
v • e
DSM-III-R apenas
DSM-IV apenas
Apêndice B (proposto)
DSM-5
(modelo categórico)
Grupo A (excêntrico)

Grupo B (dramático)

Grupo C (ansioso)
  • Modelo dimensional e categórico híbrido na Seção III incluído para estimular a investigação

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

ID, Ego e Superego

Freud desenvolveu (1923) um modelo estrutural da personalidade, em que o aparelho psíquico se organiza em três estruturas1 2 :

Id (al. es, "ele, isso"): O id é a fonte da energia psíquica (libido). O id é formado pelas pulsões - instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes. Ele funciona segundo o princípio do prazer (al. Lustprinzip), ou seja busca sempre o que produz prazer e evita o que é aversivo, e somente segundo ele. Não faz planos, não espera, busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a realidade e uma satisfação na fantasia pode ter o mesmo efeito de uma atingida través de uma ação. O id desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego irracional, anti-social e dirigido ao prazer. O id é completamente inconsciente.

Ego (al. ich, "eu"): O ego desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo externo: é o chamado princípio da realidade. É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera ao comportamento humano: a satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas. A principal função do ego é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos do id e a realidade e, posteriormente, entre esses e as exigências do superego.



Superego (al. Überich, "super-eu"): É a parte moral da mente humana e representa os valores da sociedade. O superego tem três objetivos: (1) inibir (através de punição ou sentimento de culpa) qualquer impulso contrário às regras e ideais por ele ditados (2) forçar o ego a se comportar de maneira moral (mesmo que irracional) e (3) conduzir o indivíduo à perfeição - em gestos, pensamentos e palavras. O superego forma-se após o ego, durante o esforço da criança de introjetar os valores recebidos dos pais e da sociedade a fim de receber amor e afeição. Ele pode funcionar de uma maneira bastante primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por pensamentos; outra característica sua é o pensamento dualista (tudo ou nada; certo ou errado, sem meio-termo). O superego divide-se em dois subsistemas: o ego ideal, que dita o bem ser procurado, e a consciência (al. Gewissen), que determina o mal a ser evitado.


Informações básicas e muito importantes para que carrega o transtorno esquivo. É o nosso superego que está "abafando" nossa vida.

sábado, 9 de agosto de 2014

Complexo de inferioridade, o que é isso?


"A realidade é muito chata"
Uma das queixas mais comuns das pessoas são os conflitos internos e nos relacionamentos causados pelo sentimento de inferioridade. Quantas pessoas não se sentem inferiores aos seus colegas de trabalho? Não buscam uma promoção por não se sentirem capazes? Não terminam um relacionamento destrutivo por acreditarem que não conseguirão ninguém que as trate bem? Estão sempre se comparando ao irmão, irmã, vizinho, tendo a certeza que o outro é muito mais? Outros deixam de trabalhar, sair, viver, tudo porque se sentem inferiores aos demais.

A denominação "complexo de inferioridade" foi criada por Alfred Adler (1870-1937), médico psiquiatra, para designar sentimentos de insuficiência e até incapacidade de resolver os problemas, o que faz com que a pessoa se sinta um fracasso em todos, ou em alguns aspectos de sua vida. É o que hoje chamamos de baixa auto-estima, que é quando não se tem consciência de seu valor pessoal. A baixa auto-estima pode comprometer todos os relacionamentos, seja pessoal, profissional, afetivo, familiar, social.

Adler afirmava que todas as crianças são profundamente afetadas por um sentimento de inferioridade, que é uma conseqüência do tamanho da criança e de sua falta de poder perante os adultos. O que desperta em sua alma um desejo de crescer, de ficar tão forte quanto os outros, ou mais forte ainda. Ele sugere que existem três situações na infância que tendem a resultar no complexo de inferioridade:

- Inferioridade orgânica:
Crianças que sofrem de doenças ou enfermidades com deficiências físicas tendem a se isolar, fugindo da interação com outras crianças por um sentimento de inferioridade ou incapacidade de competir com sucesso com outras crianças. Contudo, ele salienta que as crianças que são incentivadas a superar suas dificuldades tendem a compensar sua fraqueza física, além da média, e podem desenvolver suas habilidades de maneira surpreendente. Por exemplo, se dedicam a uma atividade física para compensar a deficiência.

- Crianças superprotegidas e mimadas: 
Essas crianças podem desenvolver um sentimento de insegurança, por não sentirem confiança em suas próprias habilidades, uma vez que os outros sempre fizeram tudo por elas. 

- Rejeição: 
Uma criança não desejada e rejeitada não conhece o amor e a cooperação na família. Não sentem confiança em suas habilidades e não se sentem dignas de receber amor e afeto dos outros. Quando adultos, tendem a se tornar frios, duros, ou extremamente carentes e dependentes da aprovação e reconhecimento de outras pessoas. Quanto mais necessidade de ser aprovado e reconhecido pelo outro, mais se desenvolve a necessidade de agradar. Isso faz com que as pessoas deixem de ser elas mesmas, tornando-se o que os outros gostariam que fosse, ou o que pensa que gostariam, reforçando cada vez mais o sentimento de inferioridade, pois não satisfazem a si mesmas. 

Não são apenas as situações citadas acima que podem fazer com que a pessoa se sinta inferior, podem existir muitas outras ocorridas durante a infância, mas essas explicam a origem do termo utilizado e podem resultar em isolamento, falta de interesse social e cooperação. 

Todos sabemos que não é nada fácil para uma criança com alguma doença ou deficiência física conviver socialmente, pois as crianças em geral são implacáveis em brincar com as dificuldades de seus colegas, gerando vergonha, medo e a necessidade de se isolarem com o intuito de evitar ser alvo de piadas. Diante dessa realidade, é muito importante que os pais apoiem seus sentimentos e não os menosprezem; fazendo-a perceber que há muitas outras qualidades e que seu potencial pode ser desenvolvido. Do contrário, crescerão com muita dificuldade em acreditar em si mesmas, pois irá depender de como cada um irá lidar com esses aspectos.
"Por que é tão difícil gostar de mim mesma?"

A superproteção durante a infância pode realmente gerar muita insegurança quando adulto, pois estas pessoas quando crianças não foram incentivadas a acreditarem em si mesmas. Assim, crescem, ainda que inconscientemente, acreditando que faziam tudo por ela por não ter a capacidade de fazer por si mesma. O que não é verdade! Todos temos potencial, a diferença é acreditar neles ou não.
A rejeição, assim como o abandono, também pode gerar o sentimento de inferioridade.

Adler enfatizava ainda a importância da agressão, no sentido de lutar por sua capacidade de superar obstáculos e acreditar em si. Muitas vezes, a agressão pode manifestar-se como poder, superioridade e perfeccionismo, porém a busca pela superioridade como compensação pode tomar uma direção positiva ou negativa. Pode ser positiva e saudável quando motiva para realizações construtivas e na busca de crescimento. Será negativa e destrutiva quando existe uma luta pela superioridade pessoal, dominando os outros através do poder, podendo desenvolver a ambição (busca o crescimento material, deixando de lado pessoas e fatos significativos em sua vida) e inveja (desejando ter tudo o que o outro tem, mas não se sente capaz de conseguir por si próprio); tudo para compensar seu sentimento de inferioridade. 

A capacidade do outro sempre é percebida como maior que a própria capacidade, sentindo-se sempre inferior. Esse sentimento pode fazer com que a pessoa se acomode na situação. Ainda que isso lhe traga insatisfação e tristeza, nada faz para mudar, pois não se sente capaz ou com forças.

Muitas vezes nos deparamos com pessoas que demonstram ter uma total confiança em si mesma, mas, se observarmos melhor, perceberemos que na verdade são máscaras para compensar seu sentimento de inferioridade, não refletindo seu verdadeiro sentimento em relação a si próprio, ou seja, sua essência. Mas o que fazer quando somos adultos e sentimos medo, vergonha, ou seja, ainda sentimos essa inferioridade perante os outros? O mais indicado é:

- Evitar as comparações. Ficar se comparando com quem quer que seja não o fará se sentir melhor, pois as pessoas são diferentes, possuem necessidades, desejos e históricos de vidas diferentes.

- Compreenda seu histórico de vida e a origem de seu sentimento de inferioridade. Por qual motivo se sente inferior? Não desista, compreenda suas dificuldades e procure enfrentar cada uma delas.

- Enfrente o medo. É importante lidar e enfrentar o medo que as pessoas ou situações provocam e compreender que a percepção de si mesmo está baseada na conseqüência de fatos que já passaram. Você não pode mudar seu passado, mas pode mudar seu presente.

- Reconheça seu valor. Perceba que seu valor enquanto pessoa não pode e nem deve ser baseado na maneira como foi, ou ainda é tratado, ainda que isso tenha durado toda sua vida. Não permita mais ser desrespeitado ou maltratado. Lembre-se ainda que seu valor deve ser baseado pelo que é e não pelos bens materiais que possui. 

- Identifique suas necessidades emocionais. O que você espera receber dos outros pode ser aquilo que não recebeu quando criança de seus pais. Não espere receber dos outros o que só você mesmo pode se dar. 

- O que você deseja receber na relação afetiva? Muitas vezes os conflitos gerados no relacionamento têm origem em seu histórico de vida.

- Observe e procure compreender cada um de seus sentimentos. Perceba quando sentir inveja, ciúmes, necessidade de poder ou superioridade. Esses sentimentos podem estar ocultando e compensando um sentimento de inferioridade.

- Aprenda com os erros e não fique se punindo por ter errado, nem se acomode nas situações. Saia de sua zona de conforto e mude o que deseja!

- Valorize sempre suas conquistas! Pare de supervalorizar o que o outro tem ou faz e desvalorizar as próprias conquistas. Celebre sempre!

- Faça psicoterapia. O autoconhecimento obtido através do processo da psicoterapia poderá fazer com que reconheça seus reais valores e liberte-se do complexo de inferioridade que acorrenta e aprisiona.